Sonia Destri Lie

Sonia Destri Lie

Em quase 35 anos de trabalho, a coreógrafa Sonia Destri movimentou-se dentro e fora do Brasil. Com os pés cá, foi do balé ao jazz, da dança contemporânea até o trabalho em musicais de teatro, televisão e cinema, alinhando-se com mestres como Tatiana Leskova, Marly Tavares, Lennie Dale e assinando coreografia de projetos artísticos envolvendo Maurício Sherman, Marília Pêra e Lúcia Murat, para citar alguns.

Recebeu bolsa de estudos da New York University e participou como convidada nas oficinas internacionais da coreógrafa Twyala Tharp. Recebeu premiação de melhor coreógrafa pelo Conceil International de La Danse/ UNESCO. E Menção Honrosa de melhor roteiro pela Ford Foundation.

Com os pés lá, entre Europa e EUA, fez formação com Pina Bausch. Nos EUA com Alvin Nikolais, Twyala Tharp. Mas foi na Alemanha que conheceu a pulsação atual de sua carreira, a dança urbana, que culminou com a formação da Companhia Urbana de Dança.

Nos anos 1990, se mudou para lá a fim de lecionar na TanzHaus e em várias escolas em Dusseldorf e Colônia nas técnicas de dança contemporânea, jazz e balé clássico, hip BRAZILIAN jazz. Conheceu Marvin Smith e tornou-se colaboradora constante no curso de formação em hip hop na Reebok University, na Alemanha. Com Marvin assinou o vídeo “Banda do Exército da Alemanha dançando Hip hop”, shows de moda e Projeto Videoclip que reunia 200 adolescentes por ano.

Fez parte do Projeto de Residência Artística do SESC em 2008 e 2009. E fez a estréia nacional da peça Suíte Funk no Espaço SESC, trabalho considerado um dos dez melhores da cena carioca de 2008. Em 2009 fez o Circuito SESC no Rio de Janeiro e participou dos projetos Viagem Teatral pelo SESI de São Paulo e o Entrando na Dança do Festival Panorama. Foi curadora no projeto Diálogos Inter Urbanos no Ano da França no Brasil. Participou do Festival de Inverno de Garanhuns e de Campina Grande, Caixa Cultural de Brasília e do Rio de Janeiro. Além de Festival Panorama de Dança, do Projeto Entrando na Dança e do Tangolomango.

Depoimento de Sonia

 8 anos de Companhia _ a maturidade Vocês estão prestes a assistir a Companhia Urbana de Dança em movimento e em cena. E daqui a pouco vocês vão conhecer esses jovens dançarinos que eu tenho prazer e alegria de dirigir, coreografar e compartilhar idéias e meus dias. Falando assim fica tão bom, bonito de ler e imaginar a beleza de ser o que é. E é mesmo. Mas, no percurso, a historia é árdua, difícil… Eu trabalho todos os dias com a companhia, intensamente e sou muito exigente.

Portanto, eles trabalham todos os dias e aprenderam a lidar com a exigência, com a busca de um caminho próprio, do comprometimento, da responsabilidade e o prazer que isso pode trazer a um artista. Em média levam de 2 a 3 horas para chegar ao ensaio. E com as 5 horas de ensaio e a volta para casa, o dia foi! Na nossa jornada até aqui, tivemos muitas conquistas e algumas vocês vão poder ler aqui, entre críticas e textos. E outras estão nos corpos e em cena. Durante esses 8 anos de Companhia, ganhamos prêmios, editais e firmamos parcerias importantíssimas. Mas, ao mesmo tempo criamos muitas piadas internas, como: Somos de muita onda e pouca grana.

Hoje me pergunto como foi possível chegar até aqui.

Temos sim uma lista de agradecimentos diários nas nossas vidas, entre eles: SESC Rio, Secretaria Municipal de Cultura e o Fundo de Apoio a Dança (FADA), Secretaria Estadual de Cultura, Prefeitura do Rio de Janeiro, CCORJ, Fundação Panorama e amigos por detrás disso tudo. Vale a pena? Cada minuto. O desejo, contudo, é que em algum momento eu posso oferecer mais. Mais dignidade, mais possibilidades de crescimento, mais tranqüilidade no processo de criação, um salário bacana, mais intercâmbios, mais circulação, mais desafios, mais técnica, mais… Mais…

Multiplicar a vontade de que todo investimento físico, emocional e criativo possa ser transformado em possibilidade de uma manutenção a longo prazo e que eles tenham como continuar nesse estado de produção coreográfica com freqüência. E mais, que o que falamos hoje aqui e em cena, de termos a dança como ofício, seja real e permanente. Tenho essa idéia, sonho, desejo imenso de envelhecer com essa companhia e com esses dançarinos e fazê-los aos poucos assumindo os que virão depois deles.

Ah… Não posso esquecer : uma sede! A maturidade da companhia chega sem esse patrocínio a longo prazo. A maturidade chega devagar, apesar do meu trabalho nessa área já estar fazendo 35 anos e a Companhia fazer 8 anos ineterruptos. A maturidade chega com EU DANÇO_8 solos no geral e com ele essa idéia de tudo vai ser diferente e para melhor… Do jeito que sempre se quis!